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Segunda-feira, 27 de Novembro de 2017 14:32 - Gabinete do Prefeito

Falp debate a imigração

Falp painel imigração Foto: Thales Ferreira Falp painel imigração
O direito de ir e vir, o respeito ao outro, diferentes culturas, a inclusão social foram assuntos abordados na mesa do seminário internacional do Falp, sobre as Imigrações: um desafio humanitário e cultural do século XXI. A mesa foi realizada na tarde deste sábado, 25 de novembro no Salão Nobre da antiga Prefeitura.

Representantes de diferentes países que veem seu povo buscar melhores condições de vida falaram sobre o tema. Participaram o prefeito de Aizaria (palestina), Issam Farun, representante da comunidade palestina, Maysar Hassan, presidente da Associação de Senegaleses de Sl e NH, Massamba Mbenghe, representante da Comunidade Haitiana, Padre Gustor, da República do Saharui- África, Mohamed Ray, o deputado estadual Nelsinho Metalúrgico, presidente da Frente Parlamentar de Acompanhamento e Solidariedade aos Imigrantes e Refugiados no Estado do Rio Grande do Sul e o secretário de Integração  Social de São Leopoldo, Hélio Teixeira. A vereadora de São Leopoldo Ana Affonso foi mediadora da mesa.

Mohamed destacou que quando um imigrante vai para uma cidade tem o desafio de integrar-se e participar da cidade, aprender sobre o lugar onde vai viver, viver com respeito às leis e ressaltou que há cidades que acolhem de braços abertos. Massamba Mbenghe reforçou a ideia da integração dos povos, e falou que o Brasil recebeu imigrantes de várias nacionalidades e precisa conhecer a história africana. "A oportunidade que temos em São Leopoldo não é a mesma em outras cidades", comparou o acolhimento recebido. 

O sofrimento do povo palestino foi contextualizado no relato de Maysar Hassan, ex-refugiada palestina: "Uma distância de 3 km de Jerusalém a Aizaria se torna uma quilometragem muito longa, muito humilhante para a população palestina conseguir acessar as suas necessidades em Jerusalém a saúde e educação", disse. Maysar presenciou a guerra em 1967 e foi uma refugiada e contou que a situação piorou. "O estado sionista continua oprimindo o povo palestino. O exército sionista quer acabar com as nossas sementes, as nossas crianças, querem mantê-las longe das escolas, mantê-las longe de uma vida digna. Cadê os direitos humanos do povo palestino, das nossas crianças. Cadê nossos direitos? Vamos lutar pela nossa libertação com a ajuda da humanidade da população brasileira. Vamos lutar sempre até o fim." 

O padre Gustor atua na Congregação dos Missionários de São Carlos do Romeu em Porto Alegre. Há 130 anos, a instituição tem a imigração no centro do trabalho. "Quando se fala de gente, não se fala de objeto, não se fala de mercadoria, não se fala de coisa. Essa gente precisa de respeito, de melhores condições de vida", alertou. O padre destacou ainda que o imigrante é um protagonista. "Muitas pessoas olham para o imigrante como um problema, que vem tirar o trabalho, o dinheiro. Mas se a gente olhar para a história vai ver que tiveram uma contribuição para os países considerados desenvolvidos", afirmou. A congregação atende os imigrantes, em especial os haitianos com serviços como orientação jurídica, curso de português e atendimento psicológico.

O presidente da Frente Parlamentar, Nelsinho Metalúrgico, destacou que migrar é um direito humano. "Nenhum imigrante sai do seu país porque quer. As pessoas migram devido a guerras, perseguição, para fugir da miséria, procurando uma vida melhor. Do ponto de vista mundial estes problemas atingem a vida de muitas populações", avaliou. Para o parlamentar o desafio é criar política pública para incluir de fato. "É preciso uma visão humanizada, não só dos gestores, mas da população, pela cidadania, pela convivência amistosa e harmoniosa", frisou.

O secretário Hélio Teixeira, falou sobre a imigração senegalesa e haitiana e a dificuldade de diálogo com as prefeituras da região para discutir a questão. São Leopoldo é uma cidade composta de maneira plural por várias etnias que vêm agregar este contexto. O governo municipal pensa em direitos humanos. O secretariado tem pensado junto para fazer uma política integrada das secretarias para promover inclusão em São Leopoldo. Vivemos uma crise sistêmica que se agravou com o golpe no Brasil. Muitas políticas devem ser organizadas de forma sistêmica, integradas regionalmente. Então temos que dialogar com os prefeitos da região, mas não estamos conseguindo", disse. 

Acordo de Irmandade
Os prefeitos de São Leopoldo, Ary Vanazzi, e de Aizaria, celebraram o acordo de irmandade entre as duas cidades. "Hoje no Falp temos orgulho de uma decisão política firmar este compromisso para uma ação mais contundente entre São Leopoldo e Aizaria. Queremos levar nossa solidariedade e mostrar para o mundo as perseguições que sofre a Palestina e a falta de liberdade do seu povo para ter autonomia. Outra dimensão para a Falp", destacou o prefeito Ary Vanazzi. Também acompanhou a vice-prefeita de São Leopoldo, Paulete Souto.

Para o prefeito de Aizaria, Issam Farun, o seminário superou as expectativas. "Nosso trabalho vai estar firmado e terá um bom progresso para continuar juntos esta luta das periferias", ressaltou. Vanazzi foi convidado para uma visita a Aizaria. Um encontro da rede Falp deve ser realizado na Palestina com data a definir.

[Texto: jornalista Vanessa Bueno |MTb.11.299| Decom/PMSL]
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