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Prefeito Heliomar Franco apresenta ações voltadas a migrantes e refugiados para representantes do Alto Comissariado das Nações Unidas
São Leopoldo deve ser o primeiro município brasileiro a implementar um Centro de Convivência para migrantes e refugiados
25/06/2026
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Créditos: Lia Kirch
O prefeito de São Leopoldo, Heliomar Franco, recebeu o representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) no Brasil, o italiano Davide Torzilli, na manhã desta quinta-feira, 25 de junho, na Sala de Reuniões da Prefeitura. No encontro o prefeito, a secretária de Desenvolvimento Social, Patrícia Giacomini, e o diretor de Direitos Humanos da Sedes, Tarso Boelter, receberam a autoridade para apresentar as ações que vêm sendo desenvolvidas no município voltadas aos migrantes e refugiados.
A secretária Patrícia Giacomini destacou que a Prefeitura aderiu ao programa Operação Acolhida do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e já tem o seu plano de ação aprovado pelo Governo Federal, prevendo a implementação de uma Casa de Passagem e de um Centro de Convivência para migrantes e refugiados. São Leopoldo será o primeiro município a ter este Centro no país.
O prefeito Heliomar agradeceu a parceria do Acnur e falou sobre o empenho do município para acolher os migrantes e refugiados mesmo sofrendo ainda com efeitos da pandemia e da enchente de 2024, que inundou dois terços de São Leopoldo.
"Temos as nossas próprias mazelas na cidade, mas sobra espaço no coração do leopoldense para enxergar essas dificuldades que essas pessoas têm nos seus próprios países. Eu acho que uma das coisas mais dolorosas que pode ter é a pessoa ter que mudar de país, procurar abrigo estrangeiro onde não sabe o que vai encontrar. A gente ainda tem espaço para acolher, para abrigar, entender, compreender e ajudar. E é nesse sentido que nós aderimos a esse programa e queremos dar sequência a ele. Queremos ser protagonistas nesse trabalho aqui, queremos dar exemplo para o Brasil e é nesta missão que nosso governo está trabalhando", enfatizou.
Davide Torzilli lidera institucionalmente as ações do Acnur no país e coordena a atuação da agência junto ao Governo Federal, estados, municípios e parceiros estratégicos. O representante da agência salientou que veio ao município conhecer o trabalho realizado com as comunidades refugiadas, pois teve conhecimento dos avanços que São Leopoldo tem feito na recepção e inclusão da comunidade refugiada. Torzilli comentou que não tinha encontrado em outro município um Centro de Convivência e gostaria de conhecer como será o serviço em São Leopoldo.
"Sei que passaram momentos muito difíceis com as enchentes e queria conhecer a experiência de São Leopoldo. O Brasil é um país muito acolhedor, mas é uma pauta que não é fácil, é desafiadora. E ter experiências positivas é sempre muito importante para o Acnur para disseminar em outras partes", afirmou. De acordo com Torzilli, o Acnur lançou o relatório sobre a situação de deslocamento no mundo, que aponta níveis inaceitáveis de deslocamento forçado, foram cerca de 118 milhões de pessoas que foram deslocadas à força no mundo. E isto se reflete também no Brasil, que tem 1 milhão de pessoas refugiadas.
A chefe do Escritório do ACNUR em Porto Alegre, Pollyana de Lima, reiterou o reconhecimento ao trabalho da Prefeitura de São Leopoldo e o compromisso do Acnur seguir apoiando o município.
A secretária de Desenvolvimento Social, Patrícia Giacomini, destacou a importância da parceria da Acnur para a execução do Plano de Ação do município. "São Leopoldo é uma cidade construída por diferentes povos e culturas. Nossa história nos ensina que acolher é um valor que atravessa gerações e que se traduz, hoje, em políticas públicas comprometidas com a inclusão, a proteção social e o respeito aos direitos humanos. Neste caminho o Acnur tem sido um parceiro fundamental. Este apoio demonstra que os melhores resultados são alcançados quando organismos internacionais, governos e sociedade civil caminham lado a lado", afirmou.
A presidente do Comitê de Atenção a Migrantes, Refugiados e Vítimas de Tráfico de Pessoas de São Leopoldo (Comirat-SL), órgão municipal composto por representantes governamentais, instituições e entidades da sociedade civil, psicóloga da Sedes, Vilene Moehlecke, e o diretor de Planejamento da Sedes, Diego Camboim, detalharam o Plano de Ação.
Para execução da Casa de Passagem, a Prefeitura está realizando o processo de seleção das Organizações da Sociedade Civil (OSCs). O resultado final do chamamento público está previsto para o dia 13 de julho. Também já está definido o local onde será implementada a Casa de Passagem.
O Acnur tem sido parceiro do município em agendas e articulações para o atendimento dos migrantes e refugiados que residem aqui e realizou uma doação, incluindo um freezer vertical, geladeira, 15 colchões de solteiro e 4 computadores para apoiar a estruturação da Casa de Passagem. Este serviço deve atender até 20 migrantes ou refugiados com suas famílias, em situação de vulnerabilidade em São Leopoldo, oriundos prioritariamente do fluxo venezuelano por meio da Operação Acolhida.
Já o Centro de Convivência para Migrantes e Refugiados, uma modalidade de Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), oferecerá escuta qualificada, atendimentos individuais e coletivos, oficinas, grupos e atividades coletivas, construção de planos de atendimento individuais e encaminhamentos orientados à rede socioassistencial. Este serviço deve atender migrantes e refugiados, em situação de vulnerabilidade, oriundos do fluxo migratório venezuelano, com idades entre 18 e 59 anos, que já estejam no município. A implantação do Centro de Convivência também se encontra em fase de seleção das OSCs. O resultado deste edital está previsto para ser divulgado no dia 28 de julho.
O secretário de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico, Vilmar Pizzutti, e a assessora jurídica especial da Sedes, Vanessa Bagattini Allgayer, também acompanharam a agenda. O secretário Pizzutti destacou o trabalho que vem sendo feito para oportunizar a qualificação profissional de migrantes e refugiados e possibilitar o ingresso no mercado de trabalho.
O diretor de Direitos Humanos da Sedes, Tarso Boelter, enfatizou a relevância do encontro com os representantes do Acnur para fortalecer o diálogo institucional e reafirmar o compromisso conjunto com a proteção e a integração da população refugiada e migrante no município.
Também integraram a comitiva do Acnur na reunião em São Leopoldo: Silvia Sander, oficial de Proteção do ACNUR em Brasília, Joana Lopes, associada de Proteção do ACNUR em Porto Alegre e Paola Bello, Comunicação e fotografia.
O ACNUR é a agência das Nações Unidas dedicada à proteção e à busca de soluções para pessoas refugiadas, deslocadas forçadas e apátridas, atuando globalmente para salvar vidas, assegurar direitos e promover condições dignas de acolhimento e integração. No Brasil, o ACNUR está presente em oito cidades e inaugurou, em 2025, escritório permanente em Porto Alegre.
II Semana do Refugiado e Migrante
São Leopoldo terá uma programação especial nesta sexta-feira, 25 de junho, das 14h às 17h, na Praça do Imigrante, localizada na Rua Dom João Becker, 575, no Centro de São Leopoldo. Estão previstas apresentações artísticas que celebram a cultura e diversidade dos migrantes e refugiados e uma feira de empreendedorismo com exposição e venda de produtos e gastronomia.
A Semana Municipal faz alusão à Semana Nacional do Migrante e Refugiado que é celebrada anualmente em junho e tem o objetivo de promover a cultura dos migrantes e refugiados, o incentivo ao empreendedorismo e a sua integração com a comunidade local. Além disso, a Semana é uma forma de dar visibilidade ao trabalho que vem sendo feito com este público residente no município.
Texto: Jornalista Vanessa Bueno - MTb.11.299
Foto: Lia Kirch
Superintendência de Comunicação da Prefeitura de São Leopoldo
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