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Projeto da Escola Paulo Beck sobre masculinidades resulta em série audiovisual no Instagram

13/07/2026

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Créditos: Romeu Finato

Meninos podem usar cor de rosa? E abraçar outros meninos? Meninas podem dirigir caminhão? Essas e outras perguntas fazem parte de um trabalho pioneiro promovido pela Prefeitura de São Leopoldo na Escola Municipal de Educação Básica (Emeb) Paulo Beck, no bairro Vicentina. Voltado para meninos do quinto e do oitavo ano, o projeto "Masculinidades" propôs uma reflexão crítica sobre frases e preconceitos ainda muito presentes em falas e atitudes do dia a dia. A ação reuniu profissionais das secretarias municipais de Saúde (Semsad), Educação (Smed) e da Fundação Municipal de Saúde (FMS) que visitaram a escola durante dois meses para debater o assunto, especialmente com os meninos.
O resultado deu tão certo que se transformou em uma série audiovisual postado no Instagram da EMEB Paulo Beck para que todos possam assistir e compartilhar a reflexão. Inspirada na Copa do Mundo, a série recebeu o nome de "Cartão Vermelho" e mostra situações em que os limites não podem ser ultrapassados e o respeito precisa prevalecer. "Foram oito encontros durante maio e junho. Agora vamos ampliar para outras instituições contribuindo para que o tema seja abordado com o intuito de promover relações mais saudáveis dos meninos com eles mesmos, bem como com as demais pessoas de seu convívio", destacou a psicóloga Fabiana Morales Farias, coordenadora do Programa Saúde na Escola (PSE).
Assuntos como esporte, profissões e tarefas domésticas entraram na discussão. Demonstrando maturidade acima de seus 10 anos de idade, o estudante Enzo, do quinto ano, salientou que gênero não interfere nas responsabilidades e escolhas. "Menino também pode cuidar da saúde, pode brincar de fazer comida, ajudar em casa e menina pode jogar bola", salientou.

Integração

De acordo com Fabiana, a iniciativa só foi concretizada com o esforço coletivo de vários setores da rede municipal, que incluem ainda a unidade básica de saúde (UBS) Paim e o Programa Primeira Infância Melhor (Pim). "Tivemos formação sobre masculinidades proposta pelo Governo do Estado e fomos desafiados a fazer um projeto piloto. A ideia é colocar isso em outras escolas. Criamos um ambiente para que os meninos se sentissem escutados sem se constranger. Um espaço de cuidado para eles e, ao mesmo tempo, de transformação". A psicóloga destaca que também foram abordadas questões de relacionamento e consentimento. "Conversamos sobre ter calma, respeitar, lidar com a frustração, de aceitar quando alguém não quer namorar", enumerou.
A supervisora da escola Sabrina Soares viu na proposta pedagógica uma oportunidade de debate e de mudança de mentalidade. "A escola tem essa função de apoiar a proposta por conta do aprendizado que isso gera ao debater temas contra machismo, racismo e todas as demais formas de preconceito", ressaltou.

Tabus

As turmas de meninos e meninas foram trabalhadas separadamente para poder fazer uma conversa específica com os garotos sobre sentimentos e formas de lidar com frustração. Nas didáticas de grupo, os profissionais apresentaram uma lista de tarefas atribuídas como específicas de homem e de mulher para gerar debate. O grupo então concluiu que todos podem ajudar com as atividades domésticas, expressar sentimentos, usar as mesmas cores de roupas e praticar os mesmos esportes. "É bom tocar nesse assunto quando somos jovens. São assuntos que não se conversa em casa. Assuntos que são difíceis de debater por vergonha. Aqui ficamos mais à vontade e falamos mais", destacou Matheus Simão, 13 anos.


Texto: Jornalista Romeu Finato - MTb. 12.042

Superintendência de Comunicação da Prefeitura de São Leopoldo

 

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